Quarta-feira, 15 Dezembro 2010
Acordámos cedo no nosso acampamento de praia, para dar inicio á última etapa desta nossa já saudosa 2ª expedição.
Faltavam 200 Km até Benguela, num troço que também já conhecíamos mas que se revelou bem mais díficil que no ano passado, pois as obras praticamente pararam e o troço encontra-se cheio de pedra e muito ondulado, o que criou dificuldades inesperadas e esforço redobrado de condutores e máquinas.
Foi já com os bracinhos muito castigados que ao final da manhã começámos a descer para o “Oásis”, que é a localidade do Dombe Grande, a 50 Km de Benguela e onde atestámos o corpo com umas merecidas cervejas frescas.
Os restantes 50 Km foram feitos em bom piso, a boa velocidade (que saudades dos 3 dígitos!) até á praia da Baia Azul, onde tomámos o nosso banho de mar acompanhado de umas lagostinhas e caranguejos.
Concluiu-se assim, a 2ª expedição Menina da Lua com um total de 7.100 Km percorridos em 19 dias.
Terça-feira, 14 Dezembro 2010
Saímos do Namibe por volta das 11h para uma etapa que nós conhecíamos bem do ano passado ( 1ª expedição), com final na vila piscatória da Lucira.
A saída do Namibe e os primeiros cerca de 100 km foram feitos em estrada bem pavimentada, sendo que a restante metade do percurso tem muita pedra solta e encontra-se em obras, o que nos criou algumas dificuldades de condução mais nada que nos impedisse de, ao inicio da tarde, estarmos a entrar na Lucira.
Como tencionávamos acampar na praia tivemos de fazer os contactos com as entidades locais responsáveis (autoridade marítima; policia), para não termos nenhuma surpresa depois de montadas as tendas.
O delegado marítimo autorizou o acampamento, a polícia indicou o local na praia, tudo ok portanto!
O resto do dia foi passado a tomar umas cervejinhas, a ouvir música e a olhar o mar, tendo terminado com uma deliciosa caldeirada que degustámos na praia junto às tendas.
Deitar cedo, para cedo erguer…
Vem ai a última etapa!
Segunda-feira, 13 Dezembro 2010
Hoje foi o dia mais curto, no que respeita ao tempo de permanência em cima das motos.
A descida da Serra da Leba deixa-nos sempre uma vontade enorme de voltar trata-se de um percurso sinuoso e muito bonito.
Às 13:30h percorridos os 190 Km, chegamos ao reencontro com a Nelinha e o Armindo José para sermos presenteados com a sua generosidade e hospitalidade e retemperar forças com um belo peixinho assado.
A fazer-nos companhia para o almoço, além da família, estava também um grupo de 4 motards Sul Africanos, constituído por dois casais, cada um dos quatro com a sua BMW Dakar, que estão em viagem de subida are á Europa, pelo corredor Ocidental. Mas como gostam muito de Angola passaram primeiro por aqui.
A tarde foi bem passada na praia Amélia conversando e bebendo umas cervejinhas, tendo a nossa equipa cumprido mais um dos objectivos, o de mergulhar no Atlântico e assim simbolicamente ligar Moçambique a Angola.
O mundo é mesmo uma ervilhinha! Então não é que um dos Sul Africanos (Michnus), foi com a descrição de uma aventura de mota no Sul de Angola, um dos nossos inspiradores para a 1ª Expedição ? (Angola, it’s not like they said)
Pois é era mesmo o Homem, imaginem a tarde de conversas com este já experiente Motard e excelente companheiro, sempre pronto para passar e receber informações úteis sobre viagens de moto.
Boa viagem (5 meses!!) e esperamos encontrá-los de novo em Portugal, aquando da sua passagem na Europa.
Domingo, 12 Dezembro 2010
A última etapa mais longa desta nossa 2ª expedição tinha 410 Km e começou bem cedo com uma mudança de óleo de motor na Moto 4, á boa maneira Africana, ou seja como não conseguimos retirar parafuso do fundo do carter para fazer sair todo o óleo usado, virámos a moto com a tampa do deposito do óleo aberto e assim com a moto do avesso lá concluímos a tarefa e prontos para arrancar.
Já conhecíamos este percurso que fizemos na 1ª expedição e tínhamos razões para cautelas redobradas, uma vez que a partir de Humbe a estrada pavimentada termina e inicia-se ali cerca de 90 Km de picada dura e difícil.
Por volta da hora do almoço chegamos a Cahama para uma cervejinha e foi com agrado que verificamos a existência de uma pista asfaltada entre Cahama e Lubango, onde antes existia cerca de 70 Km de caminho de terra ondulada (“Marteleira”) altamente destrutiva. A condição da estrada é agora de 1º nível e ainda bem que assim é, pois logo á saída da Cahama ainda com 200 km para percorrer caiu um dilúvio de mais de 01h:30m sobre nós, com trovoada e vento, o que nos levou a ter de procurar abrigo por alguns minutos. Passada a chuva e de volta á estrada, cheios de frio, concluímos mais uma etapa, que teve uma recepção diferente no Lubango, o Augusto José foi-nos receber nas portas da cidade montado na sua Harley proporcionando uma surpresa muito agradável.
Enfim estamos numa das nossas cidades preferidas, o Lubango, e de novo com o olho na Serra da Leba prontos para a descer.
Sábado, 11 Dezembro 2010
Saímos às 06:30 h na direcção de Tsumeb, cidade limpa e organizada onde tomámos um pequeno-almoço reforçado para percorrer os 410 Km que nos separavam de Angola.
Chegamos à fronteira pelas 14:00 h (hora da Namíbia).
Os processos de entrada de condutores e motas em Angola foi moroso e fomos destilando com o calor insuportável que se faz sentir, à medida que vamos subindo para norte.
Mas enfim, ao cabo de algumas horas lá conseguimos entrar no País de destino desta nossa 2ª expedição, fatigados mas com a alma cheia.
Para aqui chegar e desde o dia 27 de Novembro foi imposto um ritmo elevado que requer muita auto disciplina e exigência para máquinas e condutores, mas também como bem percebem muita paciência e perseverança no tratamento de todos os processos associados ao atravessamento de tantos países com as suas exigências próprias.
Voltamos finalmente a conduzir pela direita e a falar Português e deste modo a abraçar os dois povos irmãos da CPLP, Moçambique e Angola.
Sexta-feira, 10 Dezembro 2010
Começou mal e não acabou melhor esta etapa da nossa expedição, pois pretendíamos chegar cedo a Rundu para ver pneus e eventuais rectificações nas motos, mas logo que saímos do Lodge em Bagani e enquanto procedíamos ao primeiro abastecimento do dia constatamos que duas (!) das motos estavam furadas. Só cerca de 2 horas depois conseguimos entrar na estrada, para fazer os cerca de 200 Km até Rundu, onde chegamos pela hora de almoço.
Entramos na cidade e ESTUPEFACTOS circulamos pelas suas artérias não encontrando quase comércio aberto, conclusão era feriado Nacional na Namíbia! Bem lá encontramos um sítio para almoçar, que por sinal é propriedade de um Português e ali matamos as nossas saudades de um bom bitoque e uma maravilhosa bica “Delta”.
Enquanto comíamos travamos conversa com o Norton e o Márcio dois Portugueses que nos ajudaram com apoio informático para o blog, mas também informações diversas e úteis sobre a Nanibia, nomeadamente as estradas, o que nos levou a optar por fazer o percurso mais distante mas mais seguro em termos de abastecimentos.
A opção pelo caminho mais distante levou a que ainda tivéssemos andado um pouco de noite para chegar a Grootfrontein, onde na busca de um alojamento decente tivemos alguns dissabores, alguns indivíduos embriagados tentando saltar para cima das motas, bem como depois e já instalados num camping quase deserto (época baixa), apanhamos na hora exacta 2 indivíduos a tirar umas malas das nossas motas (parte das “aranhas” já estavam retiradas).
Enfim, para terminar bem resta-nos realçar um magnífico pôr-do-sol que tivemos oportunidade de observar enquanto circulávamos numa das muitas rectas infindáveis da Namíbia. A grande bola de fogo escondia-se no horizonte sobre a estrada, ficando a sensação de que caminhávamos de facto para a luz.
Quinta-feira, 9 Dezembro 2010
Pelas 8h00 deixamos o excelente lodge onde ficámos instalados e rumámos a faixa de Caprivi para fazer uma das tiradas mais curtas desta expedição.
As expectativas de hoje avistarmos elefantes eram elevadas mas não se concretizaram, pelo que fizemos uma quase recta de 220km que nos levou ate ao Okovango river, único rio no mundo que se infiltra na sua totalidade em território do Botswana, no designado delta do Okovango, e é de facto incrível pensar que a grande massa de agua que agora a nossa frente acaba por infiltração a tão pouca distancia.
Acabou por ser uma tarde de descanso para os condutores e maquinas, aproveitada para uma “tour” de barco pelo rio, pleno de vida animal, no caso hipopótamos e crocodilos, mas também grande variedade de aves.
Quanto às próximas etapas, existe alguma preocupação pelo desgaste dos pneus, uma vez que os pavimentos tem sido muito abrasivos e as etapas que se seguem prevêem-se duras.
Quarta-feira, 8 Dezembro 2010
Começámos pela madrugada com a manutenção das motos para, seguidamente, nos deslocarmos pelas 9h00 a Victoria Falls.
De regresso ao Lodge JollyBoys (nome bem apropriado para nós) colocámos as bagagens nas motos e partimos para o nosso percurso de saída da Zâmbia a caminho da Namíbia.
A etapa foi mais suave que as anteriores e bastante animada, no que concerne ao avistamento de animais, nomeadamente elefantes e girafas, sempre no seu habitat sem barreiras entre nós, o que se torna muito mais emocionante e marcante, tal a proximidade que conseguimos ter deles.
No meio da tarde quando conseguimos chegar ao campsite que tínhamos referenciado para ficar, verificámos que não tinha casas de banho, nem água, nem comida, o que nos fez optar por um lodge que encontrámos casualmente, mas que para nossa surpresa se revelou mais um “spot” deslumbrante.
Enfim estamos na Namíbia, verdadeiro santuário da vida animal, as portas da faixa de Caprivi que estamos desejosos de fazer amanhã na deslocação que nos vai levar ao Okovango.
Este foi mais um dia de contacto com o rio que nos acompanha e pauta toda a nossa viagem “o grande Zambeze”.
Terça-feira, 7 Dezembro 2010
O dia amanheceu chuvoso e assim se manteve durante quase toda esta 10a etapa, sendo que nos nossos planos de viagem nunca esteve previsto a conjugação da chuva e do frio, pois só estávamos a contar com chuva e calor, que nos permitisse secagens rápidas. Desse modo acabámos por fazer todo o período da manha completamente encharcados e gelados e nem uma paragem para o almoço conseguiu o objectivo de aquecer o corpo, valeu a alma e a tenacidade do grupo para vencer os 505km desse percurso.
Depois de conseguirmos passar um acidente, que cortou totalmente a estrada que liga as duas maiores cidades da Zâmbia, rolámos bem e lá atingimos a meio da tarde a cidade de Livingstone, onde tencionamos ver as Victoria Falls ficando alojados num Lodge com muito boa onda, muita gente jovem, essencialmente da Europa, que aqui se dedica à prática do rafting.
Embora fatigados, estamos com muita moral para nos próximos dias rumarmos à Namíbia, na expectativa de virmos a encontrar percursos de boa paisagem e muitos animais.
As motos e os condutores continuam assim na sua disputa diária para ver quem chega com melhor saúde a Benguela
Segunda-feira, 6 Dezembro 2010
Para memória futura hoje iniciamos o nosso diário pelo final em Chirundu, junto ao rio Zambeze (Lodge Zambeze Breezers), onde chegámos pelas 14h00 e aqui tivemos oportunidade de efectuar um “Tour” de barco no rio, em contacto próximo com a vida selvagem (crocodilos, hipopótamos e elefantes), que nos deixaram na retina e nas câmaras imagens que jamais esqueceremos.
Mas para aqui chegar não foi fácil de todo e tudo começou as 05h30, ainda a sair quentinhos da cama, passados 10 minutos de viagem desabou o céu sobre nós. Durante os primeiros 100km em troços de montanha e que nos levou quase à hipotermia.
Só a cerca de 50km de Lusaka, e após suplicarmos por um pequeno-almoço, nos foi possível aquecer um pouco e assim podermos prosseguir os cerca de 280 km que ainda nos faltavam. As estradas são boas mas ainda assim as maleitas vão-se acumulando algum óleo vai aparecendo onde não deve deixando sempre algum stress no grupo.
De volta ao amanhecer verificámos com algum agrado a presença de um pequeno animal, que na 1a expedição procurávamos afincadamente sem nunca ter encontrado, ou seja um escorpião, na rede mosquiteira de uma das nossas camas, que terá feito companhia ao pessoal durante a noite. Nada que uns banhinhos de final de dia não façam esquecer e preparar mas é a próxima etapa até Victoria Falls, já não falta tudo! Nem que seja de empurrão!
PS: Aquela da hipotermia é mesmo verdade e é para estarmos solidários com o frio que os amigos estão a viver na Europa…